A retomada do setor aéreo pode sofrer impactos devido a alta no preço das passagens aéreas, que são muito influenciadas pelo valor do petróleo e do câmbio. Continue lendo e saiba mais aqui!

É certo afirmar que as passagens aéreas no Brasil registraram um aumento considerável na primeira quinzena do mês de março, principalmente em comparação ao mesmo período no mês anterior, fevereiro. A variação dos percentuais acontece de acordo com o destino escolhido; por exemplo 45% para Florianópolis – SC; 41% para Brasília – DF; e 40% para o Rio de Janeiro e São Paulo. Ah! É válido ressaltar que a busca não considera a origem, apenas o destino do voo.
Tal elevação também se espalhou por outras modalidades de serviços que as companhias aéreas prestam – como o despacho de bagagens, que também apresentou elevação (de 6% a 36%, a depender da companhia e da categoria do bilhete). Ainda, vale dizer que os reajustes acompanham o petróleo no mercado estrangeiro, devido a guerra entre Rússia e Ucrânia. Mas, além do petróleo, existem outros fatores?
Composição do valor das passagens aéreas
Nas companhias aéreas do Brasil, uma média de 20% a 30% do preço das passagens aéreas é composto por despesas com combustível e lubrificantes, que estão diretamente ligados ao petróleo. Em entrevistas divulgadas, Paulo Kakinoff, presidente da Gol, afirmou que tias despesas já batem a margem de 50% com os aumentos recentes.
Ainda, de acordo com o economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, o valor do petróleo afeta o preço final da passagem profundamente; contudo, este não é o único fator. Conforme o especialista, o câmbio também influencia, e pode ser uma das razões que ainda estão segurando uma alta maior; visto que a cotação da moeda americana apresentou leve queda nos últimos dias.
Em março, pela primeira vez na história, o litro do querosene de aviação ultrapassou a barreira dos R$4 nas refinarias – o que será sentido com um pouco mais de força nas semanas seguintes. No entanto, como a demanda ainda está em recuperação, acredita-se que o repasse não seja tão grande aos consumidores. Afinal, como a demanda ainda está quase 30% abaixo daquilo registrado antes da pandemia, as empresas não tem margem para o repasse, o que pode atrapalhar a retomada do setor.
Repasse diluído
Alessandro Azzoni, especialista do setor jurídico e da economia, afirmou que o aumento dos preços não deve ser repassado diretamente às tarifas; porém, o aumento deve ser diluído em outros serviços oferecidos pela empresa. Por exemplo, o despacho de bagagens. Ou seja, isso explica o aumento do valor da bagagem despachada. Entendeu?
O especialista disse ainda que, as companhias aéreas poderiam diluir uma parte do preço das passagens aéreas e utilizar o restante nas rendas acessórias para, dessa forma, não assustar as pessoas que usam os serviços em menor quantidade – é o caso do desconto de embarque, bagagem e alimentação.
Por fim, para não repassar o crescimento, também é necessário que a empresa aérea transforme sua estratégia, como revisar rotas e reduzir a quantidade de voos, disse Alessandro Azzoni. Na opinião do advogado, em vez de programar os voos por hora, seria interessante começar a decolar em intervalor maiores, assim os aviões se manterão mais cheios.
Qual a proporção dos aumentos das passagens aéreas?

Ainda, segundo Bentes, tanto o valor do petróleo quanto o câmbio da moeda americana precisam ser avaliados para a apuração do impacto no preço das passagens aéreas. Os aumentos acontecem na seguinte proporção, conforme divulgado pelo economista: a. se o preço do petróleo aumenta 10% o querosene sobre 6%; b. se o câmbio da moeda americana avança 10%, o querosene sobe 6,7%; c. se o querosene sobe 10%, as passagens aumentam 2,1%. Entendeu?
O economista afirmou ainda que, em um mês, o câmbio despencou 6%, e o petróleo aumentou de forma significativa – 25%. Diante disso, é esperado que o querosene de aviação fique cerca de 15% mais caro, com uma expectativa que o percentual chegue a 19% em alguns dias. Além do mais, espera-se que a alta do querosene e os demais pontos ligados ao petróleo representem aumento de 4% das passagens em breve.
Empresas tomam medidas na tentativa de se protegerem
A fim de evitar piores impactos, mais severos e que possam causar mais prejuízos sobre suas operações com o aumento considerável do preço do querosene de aviação, as companhias aéreas estão buscando por diversas atitudes. A ideia é, de fato, se protegerem do aumento nos valores e seus possíveis impactos. A mudança nas rotas, por exemplo, é uma das atitudes das empresas.
Podemos citar, como exemplo, a Latam. A companhia resolveu adiar a estreia de seis bases para meados de 2022, nos meses de junho e agosto. Além disso, também decidiram por postergar a inauguração de novas cinco rotas para o mês de julho. Não acabou! A empresa também achou necessário suspender temporariamente dez rotas que já faziam parte do roteiro, como aquelas que ligavam o aeroporto de Brasília – DF a Rio Branco – AC, Uberlândia – MG e Imperatriz – MA.
Em nota, a Azul informa que a continuidade desse cenário poderá adiar uma retomada mais vigorosa da oferta de voos no país, assim como a inclusão de novas cidades e novas rotas e frequências entre aeroportos que já contam com serviço aéreo.
Em nota, a Azul deixou bem claro que a continuidade do cenário atual pode adiar uma retomada mais interessante e vigorosa da oferta de voos no Brasil; assim como a inclusão de novas rotas, novas cidades e novas frequências entre aeroportos que já oferecem serviço aéreo. Sendo assim, a única coisa que podemos fazer é aguardar as cenas dos próximos capítulos.
Inflação do setor
A inflação das passagens aéreas medida pelo IPC da Fipe entre os meses de janeiro e março ultrapassou 6% – mais da metade da alta se deu no mês de março. Pudemos observar um super aumento de custos, o combustível de aviação aumentou de forma considerável, mas, no fundo, a busca por viagens também aumentou.
Com a pressão dos custos, este aumento de demanda é a chance para as empresas aéreas recuperarem suas margens. Por fim, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas o peso do querosene de aviação realmente é a principal justificativa para a disparada de preços.
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