Especialistas da área relatam que a data de validade pouco tem ligação quanto aos alimentos se tornarem perigosos – ou menos seguros – para serem ingeridos.

A grande maioria das pessoas têm o costume de olhar a data de validade dos alimentos para fugir de perigos e possíveis contaminações. Muitas pessoas, inclusive, acreditam que essa data funciona como um vencimento; ou seja, acreditam que é o dia que tal alimento deve ir para o lixo. Contudo, segundo Jill Roberts, pesquisadora de saúde pública e microbióloga, as datas têm pouca ligação sobre quando os alimentos estão estragados.
De acordo com a especialista, ainda, um sistema para datar os produtos e/ou alimentos mais baseado na maneira científica pode simplificar, para os consumidores, a diferenciação dos alimentos que podem ser ingeridos com segurança daqueles que podem ser um pouco perigosos. Então, a principal fonte de estudos de Roberts tem sido a epidemiologia molecular que vem acontecendo na Flórida – um surto de listeriose, desde janeiro.
Desperdício de alimentos
Depois de estudos e análises, fica claro que, o possível responsável por grande parte do desperdício de alimentos é o atual sistema de rotulagem deles. A agência responsável por regular os alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, afirma que a confusão dos consumidores quanto a data de validade dos alimentos é a causa de aproximadamente 20% dos alimentos desperdiçados – o que custa, por ano, cerca de US$161 bilhões.
As datas de validade estão presentes nos rótulos por questões de segurança; visto que é uma imposição do governo federal de que os rótulos dos alimentos contenham certas informações e dados. Aprovada em 1938, a Lei dos Alimentos, Medicamentos e Cosméticos continua sofrendo mudanças; inclusive, a lei exige que no rótulo dos alimentos tenham informações sobre a nutrição e todo e qualquer ingrediente presente nos alimentos embalados.
Contudo, as datas de validade não são regulamentadas pela FDA e são provenientes dos produtores de alimento. Por esse motivo, pode ser difícil que elas sejam baseadas cientificamente na segurança alimentar. Por exemplo, um produtor de grande porte pode utilizar alguns meios para definir uma ‘data de validade’; mas os fabricantes menores podem não ter a mesma facilidade e apenas colocar a mesma validade. Entendeu?
Mais perspectivas sobre a data de validade
O Food Marketing Institute e a Grocery Manufacturers Association fizeram uma sugestão para seus membros; para que eles coloquem nas embalagens uma indicação de até quando o alimento pode ser ingerido com segurança e/ou algo que indique a partir de quando o alimento se torna inseguro – por exemplo, ‘consumir preferencialmente antes de’ e ‘consumir até’, respectivamente.
Embora a ação tenha o objetivo de diminuir o desperdício de alimentos, ainda não é possível ter certeza se a recomendação já apresentou algum impacto. Por outro lado, um estudo conjunto do National Resources Defense Council com a Harvard Food Law and Policy Clinic orientou que as datas de validade destinadas aos consumidores fossem eliminadas; segundo eles, a data de validade pode causar possíveis desperdícios e confusões.
A sugestão da pesquisa é que os fabricantes e distribuidores de alimentos usem datas em que os produtos foram produzidos ou empacotados, ao lado de datas para ‘vender até’, para uso dos supermercados e outros varejistas. Essas datas indicariam aos varejistas quando tempo tal produto permanece com alta qualidade para ser consumido. Além do mais, a FDA considera alguns produtos como ‘alimentos potencialmente perigosos’, por conta de algumas características.
Fórmula científica

O único produto alimentar cuja data de validade possui uma regulamentação determinada cientificamente é a fórmula infantil; esta é testada frequentemente em laboratório para conferir se há contaminação. Contudo, a fórmula infantil também é submetida a testes nutricionais para definir o tempo que os nutrientes levam para se decompor. Então, a fim de evitar a desnutrição em bebês, a data de validade presente na fórmula indica até quando ela será nutritiva.
De certa forma, todos os nutrientes presentes nos alimentos são mais simples de medir – e a FDA faz esse serviço regularmente. A agência adverte aos produtores de alimentos quando existe alguma divergência entre os teores de nutrientes presentes nos rótulos e aqueles encontrados no laboratório da FDA.
Consumidores no controle x Data de validade
Ainda, Jill Roberts, que também é professora associada de saúde global da Universidade do Sul da Flórida, nos EUA, relata que estabelecer a data de validade dos alimentos com dados e informações científicas sobre sua nutrição e segurança é capaz de diminuir o risco. Além disso, a especialista afirma que isso pode ser uma ‘mão na roda’ na hora de economizar grana.
Contudo, enquanto isso não acontece, a pesquisadora afirma que nós, consumidores, podemos confiar em nossos olhos e narizes. Como assim? Se você ver o pão mofado, o queijo verde, ou alguma verdura e/ou legume com cheiro ruim, pode jogar esses alimentos no lixo. Ademais, é mais interessante dar atenção à data de validade dos perecíveis, como, por exemplo, presunto, muçarela e frios em geral.
Afinal, os micróbios crescem com mais facilidade neles. Além de tudo isso, é interessante destacar também que há poucos dias, em 22 de julho, o Ministério da Agricultura do Brasil divulgou uma portaria onde é dispensada a obrigatoriedade de os produtores de alimentos informarem o prazo de validade dos vegetais embalados frescos.
Pequena confusão que sai cara…
Segundo levantamentos realizados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA, na sigla em inglês, a família americana média gastou, no ano de 2020, cerca de 12% de sua renda com alimentos. Contudo, muita comida simplesmente é jogada fora, ainda que esteja perfeitamente segura.
Além disso, pesquisas apontam também que quase 31% de todos os alimentos disponíveis não são consumidos. E aí, você acha que mudar o sistema de rotulagem dos alimentos pode acabar com esse problema; ou pelo menos reduzi-lo?
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