A discussão sobre corte na taxa Selic tem se intensificado nos últimos dias. O novo arcabouço fiscal, controle da inflação, clima político positivo e estabilidade do cenário externo, abrem expectativas para que o Banco Central inicie um ciclo de cortes de juros.

A taxa básica de juros, chamada Selic, é o instrumento principal utilizado pela política monetária do Banco Central (BC) para controlar a inflação no país. Fixada em 13,75% ao ano, pelo Copom, ainda em março deste ano, quando a decisão foi de manter a taxa, especialistas da economia se dizem esperançosos de que o Banco Central inicie um ciclo de corte de juros, em breve.
A expectativa positiva tem sido gerada após a formalização do novo arcabouço fiscal, e outros pontos positivos que têm sido observados, tornando o cenário econômico mais esperançoso para os próximos meses. Por isso, preparamos um conteúdo completo, envolvendo todos os últimos acontecimentos que podem favorecer a economia brasileira. Acompanhe os detalhes, a seguir.
Novo arcabouço fiscal gera expectativa de corte na Selic
No fim do mês de março deste ano, a formalização do novo arcabouço fiscal foi o ponto chave para que especialistas já começassem a prever um futuro com corte na Selic, que é a taxa básica de juros do país. Inclusive, já estão sendo subentendidos cortes na futura curva de juros, sendo o primeiro de 25 pontos no Copom do mês 06, e o segundo no mesmo ritmo, no Copom do mês 08.
Especialistas observam um conjunto de acontecimentos que trazem essa expectativa para o ciclo de corte de juros. Contudo, é o novo arcabouço fiscal o principal fator a ser considerado para um cenário mais favorável. O fato de ter sido apresentado dentro do cronograma, assim como a forma de estruturação, afastou a nuvem negativa da descontinuidade e do risco fiscal.
Especialmente, dentro de um contexto onde a percepção era de que o Brasil não teria limite de gastos, o que o novo arcabouço fiscal representa hoje é uma grande redução para o risco de a dívida fiscal explodir. Agora, podemos dizer que é possível evitar esse risco, se o país apresentar uma consistência melhor no que se diz ao crescimento econômico. Essa é a expectativa.
Inflação em queda
Além da positividade gerada pelo novo arcabouço fiscal, podemos dizer que outro fator que está ajudando a manter uma visão mais positiva da economia é a inflação. Isso porque agora é possível enxergar um cenário bem mais favorável para o Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que é utilizado para analisar as tendências para a inflação no país.
Conforme divulgação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no último dia 11 (Abril/2023), com dados que têm como referência o mês de março deste ano, houve queda no IPCA, que fechou em 0,71%. Mesmo com o alívio da queda apresentada, o índice poderia ter ficado ainda mais favorável, mas foi impedido de maior redução por causa do aumento na gasolina.
Por outro lado, nota-se uma desaceleração melhor no setor de bens industriais e no setor de alimentos, observando também núcleos mais comportados. Além disso, outro ponto essencial é a normalização na produção e logística de commodities industriais e agrícolas, oportunizando uma queda no que se refere aos preços internacionais, e trazendo alívio para os setores.
Cenário político

A expectativa para o início de um ciclo de corte na Selic é intensificada por mais um fator relevante: um cenário político mais favorável. O atual presidente, Lula, tem se posicionado positivamente para o trabalho na Fazenda, através do ministro Haddad, principalmente relacionado à nova regra fiscal. Esse posicionamento mostra novamente um Lula pragmático, especialmente nas questões fiscais.
Também não podemos ignorar o fato de que aquele clima agressivo entre o Banco Central e o atual governo tem se esfriado. Nos últimos dias foi possível notar que as críticas têm sido mais amenas. Além disso, Arthur Lira, que preside a Câmara, se mostrou disponível para ajudar na intermediação entre o atual chefe de governo, Lula, e o então presidente do BC, Campos Neto.
Estabilidade no cenário externo
A crise monetária da maior economia do mundo, os Estados Unidos, não deve ir muito longe. Mesmo o cenário externo dando indícios de uma economia ainda fraca, um certo alívio tem surgido. Depois dos episódios negativos do setor bancário, o Fed (Banco Central dos Estados Unidos) agiu rapidamente na liquidez, assim como na garantia dos depósitos, amenizando o impacto no setor financeiro e ligando alerta para o crédito.
Também vale ressaltar que os índices de atividades que estão ligadas a serviços e manufatura têm mostrado desaceleração. As surpresas na alta da inflação também estão mais amenas, e melhora no segmento de aluguéis e dos grupos de serviços. Há também uma sinalização de tendência no mercado trabalhista para a redução de ofertas.
No Brasil, o câmbio passou por forte avaliação na taxa, que passou de R$5,29 e agora está em R$4,93. Além disso, os juros fecharam a curva em aproximadamente 90 a 100 pontos. Nesse contexto, os ativos brasileiros aliviam a pressão, com reprecificação, e fazem com que diminua consideravelmente o risco de grandes problemas em relação à dívida pública do país.
Fator preocupante
Apesar de tudo estar caminhando para uma melhora no cenário econômico do país, um problema pode estar freando a atividade econômica, que é a desaceleração na concessão de crédito, devido a grandes níveis de inadimplência e pela quantidade de empresas buscando recuperação judicial. Embora o BC já tenha incorporado no balanço de riscos esses problemas, essa preocupação ainda é desafiadora.
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