Após o ocorrido com a Hurb, executivo da CVC solicita que companhias tenham de tornar seus balanços anuais públicos.

O CEO da CVC, Leonel Andrade, defendeu recentemente que as empresas de turismo tenham que tornar seus balanços públicos e auditados, e que a venda a descoberto de pacotes de viagem seja proibida. Andrade, ainda disse que isso evitaria sustos como o que aconteceu com a Hurb, que deixou milhares de clientes sem suas viagens e gerou desconfiança no mercado. Ele também disse que um setor que responde por 8% do PIB não pode ficar sem regulação séria.
Segundo um levantamento realizado por especialistas do setor, a CVC teve um prejuízo líquido de R$ 128 milhões no primeiro trimestre de 2023, uma queda de 23% em relação ao mesmo período de 2022. A empresa atribuiu o resultado negativo ao impacto da pandemia de covid-19, especialmente no Brasil, que afetou a demanda por viagens. A receita líquida da CVC ficou praticamente estável, com uma alta de apenas 0,9%, totalizando R$ 295,5 milhões.
Diante desse cenário, as ações da companhia estão cotadas em R$ 3,27 na Ibovespa, com uma queda de 2,68% no fechamento do mês de maio de 2023. As ações da empresa acumulam uma desvalorização de 70,11% em um ano e de 72,52% em 52 semanas. A capitalização de mercado da CVC é de R$ 931,52 milhões. Além dos últimos acontecimentos no setor, o cenário macroeconômico e político do país, que afeta a confiança dos consumidores, a taxa de câmbio, a inflação e os juros. São pequenos fatores que influenciaram o poder de compra dos clientes da CVC e o custo dos seus serviços.
O que aconteceu com a Hurb?
A companhia vem sofrendo graves problemas nos últimos meses, porém, a crise se intensificou ainda mais, depois que o CEO João Ricardo Mendes deixou o cargo. Após a exposição de dados confidenciais de um cliente. Diante dessa acusação, a Secretaria Nacional do Consumidor – Senacon, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública – MJSP, abriu um procedimento administrativo contra o Hurb, antigo Hotel Urbano, e deu 20 dias úteis para a empresa comprovar condições financeiras para cumprir com as vendas de pacotes de viagens para clientes.
O prazo acaba no dia 31 de maio de 2023. A medida foi publicada no Diário Oficial da União no mês de abril de 2023. O procedimento também pode resultar na suspensão das atividades da empresa e em multas de até R$ 13 milhões. A Senacon afirma que a investigação foi aberta diante dos indícios de infração aos ditames do Código de Defesa do Consumidor, por suposta violação a seis artigos.
A Hurb está se defendendo das acusações alegando que, não há indícios de que a empresa tenha violado o Código de Defesa do Consumidor, pois sempre respeitou os direitos dos clientes e ofereceu alternativas para os casos de cancelamento ou remarcação de viagens. A Hurb também informou que já prestou as informações solicitadas pela Senacon e que está à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas ou questionamentos.
Repercussão do mercado de turismo sobre o ocorrido com a Hurb

Alguns hotéis e pousadas suspenderam ou cancelaram as reservas feitas pelo Hurb, alegando atrasos ou falta de pagamentos da plataforma. Isso gerou transtornos e prejuízos para os clientes e para os estabelecimentos. Vale ressaltar que, concorrentes do Hurb, como Booking.com e CVC, aproveitaram a crise da empresa para atrair os clientes insatisfeitos, oferecendo pacotes de viagem com preços mais realistas e datas garantidas.
Nesse contexto, alguns especialistas do setor criticaram a estratégia do Hurb de vender pacotes de viagem com preços muito baixos e datas flexíveis, considerando-a arriscada, insustentável e prejudicial para o mercado. Eles alertaram para os riscos de calote, fraude e pirâmide financeira.
Diante desse cenário, alguns órgãos de defesa do consumidor, como o Procon-RJ e a Senacon, por exemplo. Abriram processos administrativos contra o Hurb, exigindo que a empresa prestasse esclarecimentos sobre sua situação financeira e sobre as reclamações dos clientes. Eles também orientaram os consumidores sobre seus direitos e como buscar ressarcimento ou indenização.
Quais são os riscos da venda a descoberto?
A venda a descoberto é uma estratégia que se aproveita da queda do valor de um ativo, onde o investidor vende um papel, sem necessariamente ter ele. A intenção é vender o ativo na alta e recomprá-lo quando o preço cair, lucrar com a desvalorização de ativos dos quais o investidor não possui em carteira.
Essa é uma prática comumente utilizada no mercado de renda variável e aplicada tanto em operações com derivativos. Para fazer uma venda a descoberto, o investidor pode realizar duas operações: day trade ou aluguel de ações. No day trade, ele vende o ativo no mesmo dia em que o compra, sem precisar ter ele em carteira. No aluguel de ações, ele pega o ativo emprestado de outro investidor por um prazo determinado e paga uma taxa por isso.
Os riscos da venda a descoberto são: o risco de perdas ilimitadas caso o preço do ativo subir ao invés de cair, o investidor terá que recomprá-lo por um valor maior do que o que vendeu, gerando prejuízo. Como não há limite para a alta do preço, o potencial de perda é ilimitado. Além do risco da taxa de aluguel, se o investidor fizer uma venda a descoberto em alguns dias, ele terá que pagar uma taxa de aluguel para o doador das ações.




