Investir na poupança; rentabilidade real negativa há 13 meses

O rendimento real é o indicador para que os investidores saibam se tal investimento pode recompor a perda de poder de compra. Mas, ultimamente, isso não tem acontecido com a caderneta de poupança. Saiba aqui o motivo de não investir na poupança!

Investir na poupança
Fonte: Google

Há algum tempo, investir na poupança era a forma de aplicar dinheiro que a maioria das pessoas achava ideal e muito vantajosa, mas isso mudou com o tempo. Afinal, com a forte pressão da inflação juntamente de um ambiente onde as taxas de juros permanecem baixas estão auxiliando na corrosão do poder de compra daqueles que costumam aplicar o dinheiro na caderneta de poupança.

Pela norma que vigora desde o ano de 2012, quando a taxa Selic está abaixo de 8,5% a revisão, por ano, da caderneta de poupança fica limitada a 70% dos juros básicos somando a TR, ou Taxa Referencial, que permanece em zero desde o ano de 2017. Com a taxa básica de juros em 6,25% a rentabilidade da poupança é de 4,375% por ano – o que é muito abaixo da inflação. Assim, o poupador terá perdas no poder de compra, mesmo com o ganho nominal.

Ainda vale a pena investir na poupança mesmo com rendimento real negativo?

O rendimento real da poupança – isso quer dizer, abatendo a taxa da inflação – amontoada em um ano ficou negativa em quase 8% no mês de setembro. De acordo com um levantamento feito pela Economatica, um site de informações financeiras, foi o décimo terceiro mês seguido onde o retorno da caderneta de poupança não foi o bastante para ‘vencer’ o avanço da inflação calculada pelo IPCA, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo.

Desde outubro de 1991, há exatos 30 anos, esse foi o pior desempenho já registrado; naquele tempo, o rendimento real da poupança foi registrado em -9,72% em um ano. Esse rendimento real é um importante indicador usado para avaliar um investimento; então, ele indica se tal investimento pode recompor a perda de poder de compra para quem investe. Por esse motivo, as aplicações que possuem rendimento menor que a inflação são opções ruins aos olhos dos especialistas.

Ainda conforme a Economatica, entre fevereiro de 2015 e setembro de 2016 foi quando aconteceu a maior sequência de rentabilidade negativa da caderneta de poupança. Nesse período, a perda de poder de compra permaneceu por 20 meses seguidos – isso mesmo, quase dois anos consecutivos. Ainda, aconteceram outras duas séries de 13 meses consecutivos de desempenho negativo. Então, será que, nesse cenário, investir na poupança ainda é uma boa alternativa?

Se você costuma investir na poupança, fique de olho na inflação

Vários especialistas do universo financeiro afirmam que alcançar a inflação é a meta que todo investidor deveria ter no momento de realizar seus investimentos. Por exemplo, Letícia Camargo, planejadora financeira, diz que é necessário perseguir uma renda que supere ou, no mínimo, se nivele a inflação para conservar seu poder de compra.

Então, de acordo com ela, evitam gastar o dinheiro no momento com a premissa de que, futuramente, possa adquirir mais coisas com a mesma quantia. No entanto, se ao aplicar em um determinado investimento que não protege os investidores da inflação, no futuro, vai ser possível comprar menos coisas com aquele valor do que seria possível comprar hoje. Diante disso, é exatamente isso que está acontecendo agora com aqueles que deixam o dinheiro parado na poupança.

Esta é a décima terceira vez seguida que as pessoas que aplicam na caderneta de poupança têm perda do seu poder de compra. Na verdade, essas perdas não são de hoje, elas vêm se acumulando desde o mês de setembro do ano passado. Contudo, mesmo com sua rentabilidade negativa, a poupança mostrou captação positiva no mês de junho, apontou BC. Esse valor retrata o terceiro saldo mensal positivo neste ano.

A renda fixa pode ser a luz no fim do túnel

Investir na poupança
Fonte: Google

Apesar da projeção de resultados ruins, os especialistas destacam que, além da taxa Selic e do CDI básicos, a renda fixa ainda possui muita vitalidade. Ou seja, estamos falando apenas de uma modalidade específica de investimento, que são os títulos de renda fixa de alta liquidez, curto prazo e baixo risco. Esses são os investimentos clássicos, assim como a caderneta de poupança e o tesouro Selic, único título do Tesouro Direto que rende a mesma quantia da taxa Selic.

Se o investidor quiser receber um pouco mais, será necessário se planejar melhor. Pensa comigo, imagina reservar o dinheiro da aposentadoria somente em títulos que pagam apenas a Selic ou CDI? Quando chegar a época de se aposentar e utilizar o dinheiro guardado ao longo dos anos, já não valerá mais nada. Dá para achar títulos públicos, emitidos por instituições bancárias – como, LCIs, LCAs e CDBs – e também emitidos por companhias, e no caso das debêntures, com maior rentabilidade.

A necessidade de uma carteira diversificada

Especialistas do mercado financeiro destacam, cada vez mais, a necessidade e a importância de diversificar a carteira de investimentos, principalmente, para além da renda fixa. Geralmente, os especialistas, apontam outras opções; por exemplo, fundos imobiliários, fundos multimercados e até investimentos a nível exterior. Estas são alternativas que vão ocupar um determinado espaço na carteira ao lado da renda fixa, tudo vai depender do perfil e objetivo de cada investidor.

Na verdade, não é recomendado, para nenhum investidor, ter 100% do seu dinheiro investido em renda fixa, mesmo aqueles com o perfil mais conservador. Mas, como toda regra tem sua exceção, quando a pessoa possui somente o dinheiro da reserva de emergência, pode manter na renda fixa. Contudo, ainda é recomendado que, pelo menos, exista um pedaço bem pequeno em renda variável, algo menos que 5% já está bom.

Porém, existe um pequeno problema. Em um país onde os juros básicos são menores do que a inflação, como o Brasil, não se encontra muitas alternativas de investimentos com melhores rendimentos; então, as vezes, o dinheiro que resta é o que compõe a reserva de emergência. Esse dinheiro é aquele que precisa estar fácil caso aconteça alguma emergência ou imprevistos no dia a dia.

Acumulado em 2021

Entre os meses de janeiro e setembro deste ano, a caderneta de poupança marcou retorno negativo de 4,89% abatendo a inflação. Um desempenho pior que esse foi registrado somente em 1991, onde o rendimento real ficou -11,3%, também entre janeiro e setembro daquele ano.

Além disso, a poupança fechou o mês de setembro com mais resgates efetuados do que depósitos. A saída líquida da poupança foi da ordem de R$7,7 bilhões, de acordo com dados do BC.

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Redator especializado em finanças, focado em transformar temas complexos em conteúdos claros, práticos e acessíveis. Produz artigos sobre investimentos, economia, renda extra e educação financeira, sempre com linguagem objetiva e orientada para resultados.