Pela quarta semana consecutiva, o mercado financeiro projeta – e divulga – que haverão novos aumentos na inflação e na Selic 2022. A expectativa está no Boletim Focus, relatório produzido pelo Banco Central, publicado na primeira semana de fevereiro. Confira!

Que a vida vem ficando bem mais cara a cada dia que passa você já percebeu, não é? Aliás, é impossível não perceber; toda vez que vamos ao supermercado, açougue ou sacolão, por exemplo, o preço está um pouco mais alto do que a ver anterior. Mas você já deve saber quem de quem é a culpa por isso: a famosa inflação. Falando nela, o mercado financeiro prevê mais um aumento…
Na primeira semana de fevereiro, o boletim Focus, do BC, divulgou o aumento da expectativa do mercado para a inflação. Esse relatório é divulgado toda segunda-feira e tem a função de resumir as estatísticas calculadas levando em consideração as expectativas coletadas até a sexta-feira anterior. Nele é possível encontrar projeções do mercado para câmbio, Selic, preços, atividade econômica e outros.
A relação entre a Selic e a inflação
É muito interessante compreender qual a relação existente entre a inflação e a taxa Selic. Isso porque ambos os termos estão relacionados à economia do Brasil e ao consumo – e um dos papéis da Selic é auxiliar a manter a inflação em perfeito equilíbrio. Normalmente, a taxa básica de juros executa esse papel ao controlar os juros oferecidos no mercado financeiro. Assim, sempre que essa taxa flutua, os empréstimos bancários ficam mais baratos ou mais caros.
Diante disso, é possível estimular ou desestimular o consumo com base no custo de crédito. Ademais, a inflação, como você sabe, é resultado de uma oscilação contínua e generalizada dos preços de serviços e produtos; sendo assim, é impossível que a mesma seja determinada por algum órgão. Com preços mais altos o mercado fica desaquecido e, em consequência, o consumo cai – o oposto acontece quando os preços diminuem.
Assim, a manipulação da Selic é uma das maneiras que o Governo tem disponível dentro da política monetária para tentar manter a inflação sob controle. Quando o IPCA está alto, por exemplo, a tendência é que o Comitê de Política Monetária (Copom) aumente a Selic. Dessa forma, o crédito se torna mais caro e o consumo reduz. Logo, fica claro a relação e a importância desses dois indicadores para o setor econômico, certo?
Mais uma vez, mercado financeiro projeta aumento da inflação e Selic
A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2022, medida pelo IPCA, passou de 5,44% para 5,50%. Esta é a quinta semana consecutiva em que a previsão é elevada. Assim como na semana passada, as expectativas de inflação para 2023 permanecem em 3,50%. As estimativas constam do boletim semanal do BC, que, como você já viu por aqui, coleta a mediana das expectativas dos economistas para os principais indicadores econômicos do Brasil.
A meta de inflação do BC este ano é de 3,5%, mais ou menos 1,5 ponto percentual – para cima ou para baixo. Portanto, o IPCA deve permanecer na meta, conforme previsto. A expectativa para a Selic até o final de 2022 subiu de 11,75% para 12,25%. Nas últimas três semanas, a previsão se manteve em 11,75%.
Para o final do próximo ano, a previsão também se mantém em 8%. O Copom decidiu em sua última reunião do último ano, no início de dezembro, elevar a Selic em 1,5 ponto percentual, para 10,75% ao ano, o maior nível desde outubro de 2017. Essa foi a oitava alta consecutiva e a alta já era esperada pelo mercado financeiro.
Focus: estimativas do mercado financeiro para PIB e Dólar em 2022

O Relatório de Mercado Focus apresentou mudanças na previsão média em relação a expansão do PIB deste ano, que permaneceu em 0,30%. Há quatro semanas, a projeção era de 0,20%. Levando em consideração somente as 39 respostas da última semana, e projeção para o PIB no final de 2022 foi de 0,21% para 0,40%. Por outro lado, para 2023, a mediana reduziu de 1,53% para 1,50% – de 1,75% há um mês.
Além disso, o relatório também apresentou algumas mudanças no cenário da moeda americana em 2022 e 2023. Este ano, a projeção para o câmbio foi de R$5,60 para R$5,58 – ante R$5,60 de um mês atrás, aproximadamente. Para o próximo ano, passou de R$5,50 para R$5,45 – ante R$5,46 há quatro semanas. No mais, o Banco Central espera poder trazer informações mais precisas acerca das estimativas cambiais do mercado financeiro.
Causas do aumento da inflação e da Selic
Há duas razões para essa diferença: nos últimos anos, o Brasil abandonou as reservas de alimentos que poderiam ser usadas em tempos de inflação para baixar os preços. A desvalorização do real desde o início da pandemia tornou o real mais caro para os alimentos importados. A inflação global foi também impulsionada pelas componentes da habitação e transportes, com taxas de crescimento de 11,6% e 16,6%, respectivamente.
Ambas as situações podem ser explicadas pelo mercado de energia. Relativamente à componente habitação, o aumento não se deveu às rendas – como o próprio nome indica, mas sim aos grupos “combustíveis domésticos” e “eletricidade residencial”, onde a taxa anual de inflação foi de 30% e 20%. Nos transportes, a inflação é resultado do aumento dos preços dos combustíveis.
Assim como o mercado de alimentos, a energia elétrica e o combustível são sensíveis aos preços internacionais e à seca que tem contribuído para a atual crise hídrica do Brasil. Os preços internacionais do petróleo estão muito mais altos do que estavam no início da pandemia do Covid-19 e quando a moeda brasileira caiu em relação à americana. De acordo com a atual política de liberalização de preços da Petrobras, essas mudanças são repassadas aos preços da gasolina.
O governo se beneficia com essa elevação?
De certo modo, sim. Afinal, toda vez que os preços aumentam, a arrecadação do governo também sobe. Outra vantagem para o governo com a inflação é que a desvalorização da moeda brasileira beneficia aqueles que estão devendo, visto que o custo de sua dívida apresenta queda.
Além disso, como sabemos, o maior devedor do Brasil é o próprio governo, que tem possibilidade de emitir títulos do tesouro para conseguir custear um pouco de suas despesas.
Gostou do nosso artigo? Aproveita e compartilha o artigo em suas redes sociais, com os seus amigos e ainda com todos os seus familiares. Mas não esqueça de retornar ao blog e aproveitar outros conteúdos. Nosso Blog existe para te informar e ajudar você a mudar sua vida financeira.




