Plataforma de investimento X Banco: frustração leva assessores de volta aos bancos

Na disputa: plataforma de investimentos X banco, plataformas que não cumprem o combinado e fazem com que os assessores retornem para os grandes bancos. Veja os desdobramentos dessa história, a seguir.

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Fonte: Google

As corretoras de investimentos utilizam uma estratégia cada vez mais comum: atrair bancários para trabalhar como assessores em suas plataformas. O motivo da disputa entre plataformas de investimentos X banco, é que as plataformas miram nos bancários devido o seu potencial e expertise, para transformá-los em assessores, em troca de boas comissões, mais liberdade, além da remuneração fixa.

No entanto, ao passar do tempo, muitos assessores, e até agentes autônomos, que largaram seus cargos em grandes bancos, estão se frustrando com a realidade do trabalho desenvolvido nas corretoras e benefícios que não têm sido cumpridos. Nesse contexto, a volta para o trabalho em grandes bancos, tem sido frequente, e por sua vez, os grandes bancos têm se adequado melhor à nova realidade. Entenda mais sobre o que está acontecendo, com a leitura dos blocos a seguir.

Plataforma de investimentos: entenda como funciona.

As plataformas de investimentos se baseiam em um modelo simples de negócio para alcançar mais clientes. Dentre as estratégias, uma delas é abrir mão de escritórios dos agentes autônomos, ou assessores de investimento, como são chamados agora. Estas empresas normalmente são independentes, prestam serviços de apoio ao investidor, esclarecimento de dúvidas e apresentação de produtos financeiros.

Elas normalmente estão vinculadas à plataforma através de um determinado contrato, com exclusividade. No entanto, uma norma recente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), dispensou a obrigação da qual o contrato seja de exclusividade apenas de uma corretora. Mesmo assim, imaginando essa possibilidade, diversas plataformas aproveitaram para fechar longos contratos. O problema é que desta forma os assessores ficam limitados a oferecerem apenas os produtos disponíveis naquela plataforma.

Também há o modelo interno de captação. Nesse caso, a própria corretora contrata os profissionais, para assim atrair mais clientes e trabalhar de forma que os atuais investidores sejam convencidos a investirem mais. Inclusive, segundo relatos dos próprios trabalhadores, esse segundo modelo normalmente oferece remuneração fixa abaixo da média, que é compensada pelo bônus que é muito mais atrativo.

Frustrações

No entanto, essa estratégia foi questionada após relatos de que ex-funcionários da XP Investimentos foram demitidos pela corretora e sequer receberam os bônus conforme prometido. Como é o caso do relato de um ex-assessor da XP, que após ser demitido, agora trabalha novamente em banco. Em resumo, ele, que antes chegou a trabalhar no Santander e no Itaú, escolheu ir para a XP devido a melhores condições, como mais liberdade, autonomia e ganhos variáveis (bônus) altos.

Inclusive, tais benefícios compensariam o salário fixo, que no caso era inferior ao salário no banco. Além disso, a corretora chegou a pagar “luvas” (adiantamento) e ainda garantiu para o 1º semestre ao menos R$60 mil de bônus, que até chegou a ser cumprido, com valor ainda maior, graças ao seu bom desempenho. Além disso, o trabalho mais livre também foi possível durante seu tempo na XP, visto que ele trabalhava de casa, visitava clientes e não havia cobranças para ir ao escritório.

Contudo, veio a demissão, antes mesmo de completar o contrato de 1 ano na empresa, com a desculpa de que ele não tinha o perfil da corretora. Porém, o estranho foi que essa alegação não era compatível à receita robusta gerada por ele. Além disso, o bônus devido pelo 2º semestre teve um valor muito inferior ao que estava acordado, de acordo com a receita que ele mesmo gerou. Por fim, o caso está na Justiça, enquanto ele retorna ao seu trabalho como bancário e atua em um gigante banco do país.

Grandes bancos na ativa!


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De acordo com especialistas, o momento atual tem sido o de maior investimento por parte dos grandes bancos, no setor de investimentos. Como é o caso do banco Itaú, que passou a investir de forma mais ativa no segmento de aplicações para PF. Também foi um avanço da instituição nesse sentido, quando criou a plataforma Ìon, em 2020, para prestar assessoria a investimentos, abrangendo um cenário mais amplo e vantajoso para os clientes, os funcionários e claro, para o banco.

Mas não foi só o Itaú que está melhorando e atualizando o setor de investimento. Por sua vez, o banco Santander também lançou sua própria plataforma de investimentos, com o nome AAA Santander. Com essa iniciativa, a plataforma vem se destacando no mercado ao oferecer melhores condições e melhores remunerações aos seus colaboradores. Enquanto isso, Bradesco e BTG Pactual, apesar de ainda trabalharem em parceria com corretoras, estão cada vez mais apostando no segmento.

Ponto positivo para os bancos

Nesse dilema entre plataforma de investimento X banco, um ponto positivo que os grandes bancos estão conquistando é a chegada da liberdade, oferecida como vantagem pelas plataformas de investimentos. Ou seja, nesse contexto alguns bancos estão abrindo mão do tradicional trabalho presencial durante toda a semana, e aderindo o trabalho híbrido, onde o funcionário poderá trabalhar alguns dias de casa.

Em contrapartida, enquanto os bancos avançam nesse aspecto, as plataformas podem estar regredindo nesse sentido. Pois, de acordo com mensagem enviada aos funcionários da XP, pelo founder da empresa, existe um desejo de que haja o retorno ao formato de trabalho presencial, tendo como justificativa o desempenho, que não tem sido como o esperado.

Pelo que temos visto e ouvido, o caso relatado nos blocos anteriores por um ex-funcionário da XP, não é um caso isolado. Isso porque o mesmo tem acontecido de forma recorrente, e agora com mais esse agravante, o da ameaça ao retorno do trabalho presencial – um dos grandes motivos pelos quais os funcionários optaram pelo trabalho na corretora – ou seja, mais um benefício que pode não ser cumprido por parte da XP. Além disso, metas inalcançáveis também têm sido um grande problema para os funcionários da plataforma.

Oportunidades

A disputa: Plataforma de investimentos X banco, ainda não acabou. Isso porque as plataformas ainda estão mirando os bancários para si. Uma prova disso é o relato de uma ex-funcionária da XP, recentemente demitida pela corretora, que voltou a trabalhar em um grande banco, e surpreendentemente descobriu que estava exatamente ocupando a vaga de uma bancária que abriu mão do cargo para trabalhar em uma corretora.

Ou seja, a briga continua. Por isso, é importante ficar atento às oportunidades para fazer a melhor escolha.

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Redator especializado em finanças, focado em transformar temas complexos em conteúdos claros, práticos e acessíveis. Produz artigos sobre investimentos, economia, renda extra e educação financeira, sempre com linguagem objetiva e orientada para resultados.