Produtos Pets: Setor Teve Alta Maior Que a Própria Inflação

O setor de produtos pets sofreu uma média de 23,7% em aumento, disparando os preços. A inflação para o setor pet chega a ser maior que a inflação de alimentos para humanos. Veja mais a seguir.

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Fonte: Google

Diante da crise econômica enfrentada pelo país, um setor que tem chamado muita atenção é o de produtos pets. Isso porque, normalmente, os produtos desse setor costumam ter aumento de preço muito abaixo da inflação, não fazendo tanta diferença. No entanto, o que se pode reparar nos últimos meses é que os consumidores têm pagado um valor muito maior que o de costume. Isso porque os aumentos dos produtos foram maiores até mesmo que a própria inflação.

Desta maneira, quem tem algum animal doméstico em casa, como cães e gatos, podem sentir no bolso essa variação de preço disparada. Contudo, existe uma explicação para o aumento dos produtos para os animais de estimação. Então, é exatamente sobre isso que vamos falar no decorrer deste texto. Afinal, porque o setor sofreu um aumento tão grande nos produtos? O que os “pais” de pets têm feito para contornar essa situação? Acompanhe essas e outras informações a seguir.

Veja como ficou o aumento no setor de produtos pets

Os últimos registros da inflação no ano de 2021 mostraram que o setor de produtos para animais domésticos sofreu aumentos que superaram até mesmo a inflação dos alimentos para humanos. Isso porque o aumento registrado nos alimentos de animais de estimação foi de 23,7%. Enquanto isso, os alimentos consumidos em casa, por humanos, tiveram uma média de 8,24% de aumento nos preços.

Esses foram os dados levantados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que calcula o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) para estimar a inflação real do Brasil. Porém, o que chamou a atenção é a diferença enorme, chegando quase ao triplo de aumento dos produtos pets em relação ao setor de alimentos humanos, quando comparados durante o mesmo período.

Da mesma maneira, os serviços de atendimento para pets também refletiram esse aumento de preços. Nesse cenário, os reajustes de serviços para animais domésticos apresentaram um aumento de 6,08%. Sendo assim, mostrou aumento maior que os serviços médicos e odontológicos para humanos, que subiram em média 4,11%. Agora, no que se refere a serviços de banho, higiene e tosa, o aumento chegou a 7,74%, enquanto para humanos, os serviços de cabeleireiro e barbeiros subiram cerca de 5,85% em 2021.

A inflação influenciou esses aumentos no setor?

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Fonte: Google

Apesar de ainda não existir um índice específico para a economia no setor de serviços e produtos pets e cálculo da inflação, alguns dados da Olívia, que é uma fintech voltada para a organização financeira por inteligência artificial, mostram que no ano passado o gasto mensal foi de, em média, R$208,28 com serviços e produtos pets. Sendo assim, esse valor significa um aumento de 21,44% em relação aos mesmos dados de 2020. Isso porque, no ano de 2021 o Índice de Preços ao Consumidor, IPCA, sofreu a maior variação dos últimos 6 anos, fechando o ano em 10,06%.

Porém a surpresa maior para o setor se deu, porque nos anos anteriores o aumento de preços no setor pet costumava subir bem menos que a inflação. No entanto, em 2021 subiu mais que a inflação, surpreendendo a todos. Para Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, o impacto da crise econômica tem relação direta com esse aumento. Afinal, houve aumento nos custos de matérias-primas. Também, é importante considerar o aumento de gastos com a fabricação dos produtos devido a desvalorização do câmbio. Visto que as commodities são baseadas no valor do dólar.

Os consumidores sentiram a diferença no bolso

Por sua vez, as lojas especializadas em produtos pets sentiram o impacto desse aumento desenfreado no setor. Aliás, em entrevista, o diretor da PETZ3, Sérgio Zimerman, conta que, em média, a inflação da rede chegou a 18% de todos os produtos vendidos, com base no petfood. Entretanto, em sua maioria, os clientes não trocaram de marca os alimentos de seus pets por causa desse aumento. Afinal, tratados como membros da família, os animais domésticos continuaram com o tratamento de costume.

Ainda, de acordo com Sérgio, o que os consumidores fizeram foi compensar o valor a mais gasto com os alimentos de seus animais de estimação, com o corte de gastos com demais itens que não são de uso essencial para os pets. Inclusive, esse foi um comportamento bastante comum, não só em lojas de bairros economicamente evoluídos, como também nas lojas da rede nas periferias,

Entenda os motivos para a mudança de preços nos produtos pets

A crise pandêmica instalada desde 2020 e a necessidade de cumprir o isolamento social fez com que a procura por bichinhos de estimação subisse a ponto de faltarem animais nos canis, por exemplo. Sendo assim, o aumento da demanda é um dos fatores que mais contribuem para a expressiva alta nos preços dos serviços e produtos pets.

Mas não é só isso. Pois, outro fator que também pesa nesse setor é o aumento de custo na produção dos alimentos específicos, como a ração. Afinal, os insumos utilizados para a fabricação de rações, que normalmente são soja e carnes, encareceram muito nos últimos meses, refletindo no valor final passado ao consumidor. Agora, no caso de rações importadas, o problema é o valor do câmbio, visto que o real está muito desvalorizado em relação ao dólar.

De acordo com as informações de Edson Galvão, atual presidente da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, a inflação nesse setor chegou a marca de 50%. Algumas marcas fabricantes registraram inclusive, o aumento de 44% nos custos de fabricação. Desta forma, foi necessário fazer um reajuste de 28% nos preços das rações e demais produtos que sofreram alterações tão grandes nos custos de fabricação.

Produtos Pets: Novas Estratégias

“Pais” de pets tiveram que fazer adaptações para compensar o valor maior investido em alimentos para os seus animais domésticos. Por isso, dar um tempo em produtos que não são essenciais, como roupas e brinquedos, foi uma solução para cobrir os gastos com os serviços mais caros e também com os produtos, como ração, que são essenciais.

Além disso, comprar de vendedores autônomos pela internet, em sites como o Mercado Livre, por exemplo, também foi a alternativa que muitos encontraram para de alguma forma driblar todo esse aumento no setor.

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Redator especializado em finanças, focado em transformar temas complexos em conteúdos claros, práticos e acessíveis. Produz artigos sobre investimentos, economia, renda extra e educação financeira, sempre com linguagem objetiva e orientada para resultados.