Imagine um professor, com 25 anos de carreira, receber o comunicado de sua demissão através de um Pop-Up na tela do computador! Veja como a expansão do EaD desencadeou uma série de demissões de professores universitários.

O mundo está mudando, e a forma como o ensino está sendo aplicado aos estudantes também. Com a chegada do EaD (Ensino à Distância), a educação ganhou um novo método de ensino que vem dividindo opiniões. Pois, se de um lado, esse novo método permite que o ensino alcance mais pessoas, por outro lado, há um problema preocupante: a demissão em massa dos professores universitários.
Esse problema ficou ainda mais agravante com o impacto da Pandemia do Coronavírus. Pois, impedidos de ministrar aulas presenciais, os professores tiveram que, rapidamente, se adaptar ao ensino remoto. Contudo, o que vem acontecendo entre as universidades privadas de todo o país, é a expansão de cursos EaD, e consequentemente, a diminuição no número de professores que integram o quadro docente. Entenda mais, a seguir.
Tendência ao EaD se consolidou com a Pandemia
O pesquisador Yuri Lima, teve a ideia de fazer um estudo para analisar como a Covid-19 causou importantes impactos em diversas profissões, no Brasil. Porém, a ideia tomou um novo rumo, quando o pesquisador se deparou com a situação dos professores universitários. Pois, o impacto neste setor chamou tanto a atenção de Lima, que este se tornou então, o foco de seu estudo.
Talvez, a Pandemia serviu como uma brecha perfeita para a diminuição do quadro de funcionários e professores, que consequentemente resultaria na redução de custos e folhas de pagamento, para as instituições de ensino privado. Pois, o ponto principal oportunizado por essa tecnologia, é que em uma sala presencial, 50 alunos eram suficientes para deixar uma sala de aula cheia, enquanto as salas virtuais podem comportar, em alguns casos, cerca de mil alunos.
Mesmo sendo uma aposta das universidades privadas, a tendência ao Ensino à Distância, já presente no Brasil desde 2010, teve uma forte consolidação com a chegada da Pandemia no país, em 2020. Nesse contexto, o pesquisador observou como a diminuição no quadro de funcionários, principalmente das universidades, ganhava um ritmo cada vez maior. Inclusive, contrariando o estudo de 2013 da Oxford, onde o professor ocupava a lista das profissões com maiores chances de resistência à automação tecnológica.
Diminuição no quadro de professores universitários
Entre 2020 e 2021, o número de professores universitários empregados caiu 7,14% ao todo. O que representa a demissão de aproximadamente 30 mil docentes, de acordo com o Ministério do Trabalho. Ao mesmo tempo, o ano de 2020 foi marcado pela primeira vez, durante toda a história, em que os cursos de graduação a distância registraram maior número de alunos novos, em relação aos cursos presenciais.
Segundo Lima, as duas modalidades, presencial e EaD, apresentam diferenças significativas, principalmente em relação à estrutura. Pois, o ensino presencial exige um quadro maior de docentes, maior estrutura física e administrativa. Enquanto isso, o EaD pode ser ministrado exigindo bem menos. No entanto, o pesquisador enfatiza que o Ensino à Distância não deve ser visto como um vilão.
De acordo com Lima, existe muito potencial na tecnologia para melhorar a educação. Contudo, é preciso utilizá-la para ampliar a qualidade do ensino, e não para precarizar o trabalho. Afinal, o problema real não é a comunicação à distância e a interação que o EaD proporciona que causam o problema. Mas, sim, toda a estrutura social nos bastidores da educação, e as necessidades financeiras das instituições.
Demissão de professores universitários por Pop-Up

Vamos usar como exemplo o caso do professor universitário Rodrigo Mota Amarante, que tomou conhecimento da sua demissão através de um Pop-Up, que é uma pequena mensagem que surge na tela do computador. Era um dia comum de trabalho, e o professor, pronto para dar início ao seu trabalho diário, se deparou com a mensagem enquanto abria o sistema, informando o seu desligamento da Uninove São Paulo.
Após cerca de 25 anos de carreira docente, Rodrigo conta que nunca havia passado por nada parecido: “é uma sensação estranha receber esse comunicado de maneira tão fria e distante”. Além dele, cerca de 300 profissionais foram desligados da Uninove São Paulo na ocasião, em meados de junho de 2020, enquanto os alunos tiveram suas atividades daquele dia, substituídas por uma palestra motivacional.
Passou a ser constante a demissão em massa
Passados 6 meses do episódio em que a Uninove São Paulo demitiu cerca de 300 profissionais, mais uma demissão em massa aconteceu em dezembro daquele mesmo ano. De acordo com as informações do Sindicato dos Professores de São Paulo, em 2020 a mesma universidade somou demissões de quase metade do corpo docente da instituição.
O professor Rodrigo também relatou que entre 2017 e 2018, houve outra demissão em massa. Desta vez, a universidade optou por demitir todo o corpo docente do curso de engenharia de produção 100% EaD. Rodrigo lembra que o mesmo valor pago a um professor presencial por hora-aula, era pago para os docentes desse curso. Em seguida, notou que a universidade contratou tutores, com salários menores.
Ou seja, nos tempos atuais, terminar o doutorado é uma das melhores maneiras de ser demitido em uma universidade. Afinal, com esse diploma você se torna um profissional altamente caro, e facilmente substituído por um tutor, professores “apenas convidados”, e até mesmo, estagiários alunos da própria instituição, para realizar a mediação, como é chamada a interação.
Qualidade do ensino
Como mencionamos acima, o Ensino à Distância não pode ser visto como o vilão dessa história. Mas, a forma como as instituições estão adotando essa metodologia, sim! Afinal, mais importante que a quantidade de pessoas com acesso ao ensino, é a qualidade desse ensino. Pois, de nada adianta formar profissionais mal preparados. É preciso valorizar o trabalho dos professores e oferecer aos alunos, profissionais qualificados e novas estruturas para o EaD no país.
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