Recursos naturais: o ‘boom’ das matérias-primas ainda é benéfico?

Qual a razão de o atual ‘boom’ das matérias-primas não beneficiarem tanto a América Latina quanto antigamente? Seria essa a maldição dos recursos naturais?

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Em fevereiro, depois que a guerra da Ucrânia começou, o valor das matérias-primas subiu de maneira frenética. Diante do cenário de incertezas, os preços de produtos como metais, petróleo, gasolina, gás natural, milho, soja e trigo dispararam – e em poucos dias um novo boom de recursos naturais e commodities começou. Com a invasão russa, os preços de combustíveis e alimentos em todo o mundo aumentaram historicamente.

Sem dúvidas, esse foi um dos principais fatores que levou as empresas a procurar por fontes de abastecimento alternativas. A América Latina tem um choque onde faltam alimentos, metais e também energia, existe um problema de segurança alimentar; além de ser vista, a América Latina, no caso, como aquela que vai ajudar no processo de superação desses problemas. Inclusive, os investidores acreditam que essa região pode ‘fazer parte da solução’.

A maldição dos recursos naturais

Algumas análises financeiras também opinam que aquele acontecimento é uma oportunidade para a região; visto que há uma redução da oferta de produtos de cereais e energia por conta do conflito na Ucrânia. Sendo assim, a possibilidade de exportação, pela região, de mais recursos naturais é considerada uma ‘notícia boa’; especialmente depois que o Covid-19 deixou muitas -e profundas – cicatrizes nas economias da América Latina.

Do ponto de vista histórico, não é uma boa ideia basear o crescimento de uma nação na exportação de recursos naturais – ainda que o contexto seja de crise. Isso é o que as pessoas geralmente chamam de “maldição dos recursos naturais”, que alcance países que, embora ricos em recursos naturais, a tendência é que fiquem pesos em um nível baixo de desenvolvimento; isso porque exportam produtos cujo não possuem valor agregado – grãos, minerais ou óleo.

Ao mesmo tempo, existe a obrigação de importar produtos manufaturados que, no contexto atual de inflação lá em cima, significa que as famílias e as finanças públicas são atingidas. Porém, dentre as incógnitas que rondam esse boom dos preços das commodities, muitos questionamentos sobre quais setores irão oscilar entre alta e baixa, quais irão permanecer em alta e/ou até quando os preços em alta podem continuar. Mas, infelizmente, com a inflação assustadora, as respostas não são claras.

Com a inflação, os benefícios são duvidosos

Analistas e especialistas do mercado explicam que não existe nenhuma fórmula matemática para calcular, ao certo, quanto uma nação ganha com receita de matérias-primas e o quanto ela perde com o impacto que a inflação causa; afinal, definir o efeito líquido depende de diversos fatores. Não é tão simples. Mas, de qualquer maneira, ao olhar quem ganha e quem perde no contexto econômico dos dias atuais, é preciso avaliar a questão sob alguns ângulos.

São eles: como isso afeta os consumidores e como isso afeta os produtores de recursos naturais – e matérias-primas – de certo país. Ademais, com toda certeza, as empresas produtoras de commodities serão beneficiadas com preços nas alturas, principalmente em países como o Brasil – exportador de certos produtos, como, por exemplo o petróleo, alimentos e aço. Contudo, por conta da inflação, os consumidores tem que pagar preços muito mais altos; afinal, muitos países viram a necessidade de aumentar rapidamente as taxas de juros.

Dessa forma, no fim das contas, a inflação dos preços dos alimentos e da energia está impactando, de maneira considerável, o bolso das famílias. Somado a isso, o crédito também fica mais caro e a recuperação da economia é lenta; o que afeta os rumos econômicos, exatamente quando as vozes responsáveis por projetar uma recessão nos EUA e na Europa estão chamando atenção e conquistando espaço.

O impacto é mais positivo ou mais negativo?

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Muitos centros de análise compartilham desta preocupação; afinal, eles tentam decifrar todo e qualquer impacto que o novo cenário da economia pode ter na área. Inclusive, economistas e analistas afirmam que, para este ano, as expectativas de crescimento permanecem moderadas. Com a alta da inflação, todos os benefícios do alto preço dos recursos naturais podem não valor de nada – assim dizendo de uma maneira mais simples.

Na verdade, o salto no valor das commodities pressionou a inflação, mas também afetou a balança comercial e a situação fiscal das nações da América Latina. Porém, vale lembrar que, para cada economia, os efeitos são muito diferentes; pois a alta no preço das matérias-primas e os obstáculos que os países da América Latina estão passando não são homogêneas. O melhor a se fazer é aguardar a evolução do ano para que as analises sejam mais precisas.

Situação econômica nas últimas semanas e os recursos naturais

É certo dizer que, nas últimas semanas, o cenário econômico se complicou. O Bloomberg Commodity Spot Index, o principal indicador de commodities, caiu quase 20% depois de atingir um recorde no início de junho, com a intensificação dos temores de recessão. Os mercados estão sinalizando que o Fed, banco central dos EUA, não será capaz de controlar a inflação.

Inclusive, a inflação alcançou o nível mais alto em 40 anos, sem novos aumentos nas taxas de juros, o que poderia levar a economia à recessão. Não é uma boa perspectiva para a Europa, onde as taxas de juros registraram seu maior aumento em 20 anos. Dessa forma, os investidores podem prever um futuro desfavorável e tomar decisões que reduzam os preços das commodities, interrompendo o incrível crescimento que registraram.

Os preços continuarão caindo ou subirão de novo? Apenas os metais cairão enquanto os preços dos alimentos continuam subindo? Quanto subirão as taxas de juros dos EUA? Quais países entrarão em recessão? Com a incerteza tão alta, os grandes capitais são mais avessos ao risco e buscam investimentos mais seguros.

Mais aumento de inflação?

No Brasil, como você já sabe, a responsabilidade de manter a inflação sob controle é do Banco Central. Contudo, a instituição já reconheceu que o objetivo para 2022 não vai ser cumprido. A projeção do BC é que o IPCA fique na faixa de 8,8% neste ano – percentual muito acima da meta de inflação, fixada para 2022 em 3,5% (com margem de oscilação entre 2% e 5%). Até o final de julho, os economistas do mercado tinham expectativa de o índice permanecer em 7,3%.

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Redator especializado em finanças, focado em transformar temas complexos em conteúdos claros, práticos e acessíveis. Produz artigos sobre investimentos, economia, renda extra e educação financeira, sempre com linguagem objetiva e orientada para resultados.