A redução da jornada de trabalho está sendo avaliada em diversos países. Mas, para aumentar as chances de dar certo, é preciso pensar diferentes formas de adaptação dessa ideia. Confira mais sobre esse assunto, a seguir.

O bem estar físico, psicológico e emocional dos trabalhadores é um assunto que ganhou maior visibilidade com esse período pandêmico. Por isso, apesar de não ser uma ideia nova, a redução da jornada de trabalho é um assunto que está sendo mais considerado agora, não só por diversas empresas, como também por diversos governos do mundo inteiro. Porém, ainda há muito o que se discutir sobre ele.
Afinal, para aplicar de fato essa redução, é preciso ter alternativas que considerem questões importantes sobre cada setor. Também é preciso pensar sobre os ganhos e perdas que uma decisão como essa pode ocasionar. Nesse sentido, muito se tem falado sobre a redução de 5 para 4 dias úteis semanais, ou de 8 para 6 horas trabalhadas por dia. Vamos entender um pouco mais sobre essas opções. Acompanhe!
Alternativas para a redução da jornada de trabalho
Quando pensamos em redução da jornada de trabalho é preciso levar em consideração dois pontos importantes: o bem estar dos trabalhadores e a produtividade da empresa. Pois, é preciso que haja um equilíbrio entre esses dois pontos, de forma que o favorecimento de um lado, não prejudique o outro. Também é preciso adequar novos formatos, de acordo com a necessidade de cada empresa, ou de cada setor.
A ideia de aumentar o fim de semana, de 2 para 3 dias, pode ser uma alternativa que funcione bem em muitas áreas. No entanto, essa é uma ideia que fica completamente inviável para alguns setores. Mesmo aquelas empresas que, aparentemente, funcionariam com essa adaptação, vale a pena considerar se condensar 5 dias de trabalho em apenas 4, não tornaria a jornada mais estressante.
Contudo, existem outras alternativas para que a ideia seja mais eficiente. Nesse sentido, psicólogos sugerem a redução nas horas diárias como alternativa. Pois, para as empresas que não conseguem fechar a empresa por um dia a mais na semana, a opção de reduzir de 8 para 6 horas trabalhadas/dia pode ser mais interessante, até mesmo para os profissionais, que terão mais tempo livre todos os dias.
Fantasia ou realidade?
Em muitos casos, a ideia da redução da jornada de trabalho pode parecer muito fora da realidade. Pois, visto que é comum que os empregadores, tendo o foco somente na produtividade, querem que seus funcionários trabalhem o maior tempo possível, sequer passa pela cabeça os efeitos positivos que uma jornada adaptada, em comum interesse, pode trazer. Além disso, o formato de 8 horas diárias ainda está muito enraizado na sociedade como um todo.
Em contrapartida, vários argumentos utilizados para defender uma jornada de trabalho mais curta, podem ser poderosos nessa virada de chave. Entre eles, podemos destacar como principais o bem estar dos trabalhadores e o aumento da produtividade deles. Mesmo parecendo contraditório que menos tempo seja igual a maior produtividade, é possível que isso aconteça, devido ao melhor desempenho do funcionário, quando o mesmo se sente valorizado, saudável e de bem com a vida.
Outro ponto importante é a concentração e o aproveitamento do tempo. Quando há um desequilíbrio causado pelo tempo que o trabalhador gasta no trabalho e tempo que ele tem para cuidar do seu pessoal, a sobrecarga faz com que o seu tempo produtivo diminua. Assim, mesmo passando 8 ou 9 horas no trabalho, isso não quer dizer que todo esse tempo vai ser aproveitado com a concentração devida. Por isso, investir no bem estar do funcionário, além de valorizá-lo, pode torná-lo mais produtivo.
Experimentos Positivos na Suécia

Foi realizado um experimento na Suécia, em uma casa de repouso onde as enfermeiras passaram dois anos trabalhando com jornada de trabalho reduzida para 6 horas por dia. Ao final desse período, puderam concluir que as profissionais tiraram menos licença saúde e conseguiam organizar mais atividades, aumentado 85% da produtividade com os moradores da casa de repouso. Além disso, elas relataram se sentir mais felizes.
Outros diversos testes como esse já foram feitos em diferentes países. É surpreendente notar que ao fim da experiência, o cronograma mais condensado das atividades resulte no aumento da produtividade do trabalhador e em melhorias em sua saúde física e mental. Em uma rotina mais curta de trabalho, os profissionais tendem a ficar mais inclinados a realizar suas tarefas de maneira mais eficiente.
A psicologia explica
O professor de Psicologia Adam Grant, da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, explica que a jornada de 8 horas é um padrão difícil de ser abalado, considerado por muitos até mesmo imutável. Afinal, é mais fácil contar o tempo de horas trabalhadas do que medir resultados de fato. Essa falsa mentalidade de quanto mais tempo, melhor, precisa ser rompida, segundo ele.
Cognitivamente falando, o ser humano de fato tem uma quantidade de horas limitada de concentração diariamente. Assim, a partir de um certo ponto, você começa a forçar o seu cérebro para manter a concentração. Consequentemente, os resultados diminuem, e a sua mente tende para o esgotamento. Nesse contexto, sua criatividade diminui, você começa a cometer mais erros e você perde sua eficiência plena.
Além disso, estudos mostram que, maior tempo trabalhando, não está necessariamente ligado à maior produtividade. Inclusive, podemos notar isso com o exemplo da Noruega, onde as semanas têm menos de 40 horas trabalhadas, e ainda assim o país é considerado um dos mais produtivos do mundo. A verdade é que um equilíbrio melhor entre o profissional e o pessoal gera mais ânimo e saúde, e isso influencia diretamente na produtividade do seu humano.
Sonho possível?
Essa discussão tem se tornado cada dia mais popular. Afinal, será realmente possível que haja uma transformação tão grande no padrão de trabalho? O fato é que a experiência que vivemos durante a pandemia, as condições de trabalho estão sendo mais consideradas por parte dos empregadores. A saúde dos profissionais está sendo vista com um olhar mais humano. Contudo, essa ainda é uma realidade muito distante, pelo menos para a maioria dos setores.
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